6/8/09
Pré-candidatos
Os polÃticos sabem quão efêmero é o tempo para quem manda e quão longo ele é para quem deseja mandar
Pe. César Moreira
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Há cerca de quinze meses das eleições gerais de 2010, e menos de doze meses do inÃcio da campanha, somente na Câmara de Vereadores de Pelotas já existem pelo menos cinco supostos pré-candidatos/a à deputado/a, seja na esfera estadual ou na federal. Este número ainda pode aumentar, chegando até mais da metade dos eleitos pela sociedade em 2008.
A forte concorrência e o número exagerado de candidatos acabam prejudicando a representação polÃtica da cidade e região, ou mesmo a deixando sem representação. Essa grande quantidade de concorrentes poderá transformar a disputa em uma incógnita completa, por conta da pulverização dos votos. Apesar da contrariedade ao número exagerado de candidatos, a democracia permite, e deve ser praticado o multipartidarismo. No entanto, os próprios partidos é que tem a responsabilidade de apresentar candidatos com um maior grau de capacidade para representar seus ideais, valorizando a méritocracia, permitindo concorrer aos cargos polÃticos pessoas com adequada qualificação e preparo para tal.
A pulverização local dos votos concorre também com a presença de candidatos que politicamente não são da região, e que só aparecem no municÃpio em perÃodo eleitoral. É preciso uma mobilização suprapartidária para alcançar o consenso e eleger candidatos que representem a cidade e região, já que é necessário ter votos também fora do municÃpio para obter uma cadeira no parlamento estadual ou federal. O atual quadro polÃtico reflete o exposto; temos somente um deputado federal e um deputado estadual, mesmo sendo o terceiro maior colégio eleitoral do Estado com cerca de 243 mil eleitores aptos a votar, apenas atrás de Porto Alegre e Caxias do Sul. A dificuldade no encaminhamento de recursos e ações voltadas para melhores condições de vida, a carência de investimentos, o descaso e o abandono continuam a mercê de uma isolada atuação polÃtica.
Mas o problema não está somente no eleitor, mas sobretudo na nossa classe polÃtica. Deveriam os eleitos valorizar a sua eleição, que estão tão somente a oito meses no exercÃcio do mandato e já vislumbram concorrer a um novo pleito. Tal pretensão pode ofuscar a melhor atuação do agente polÃtico, ou seja, não focar sua atenção para a obrigação do momento: a atuar como legislador e fiscal do executivo. Não devem só gozar da visibilidade para almejar novo cargo. Isto é, se eleitos vereadores, estes deveriam permanecer nesta função pública pelo total perÃodo do mandado, permitindo, apoiando e estimulando que novos agentes polÃticos venham a concorrer e fortalecer a representação polÃtica do municÃpio. Embora não devidamente valorizado, o exercÃcio da vereança é que mais requer atenção, pois é quando o polÃtico tem um contato mais próximo com os eleitores, a cidade e seus problemas e necessidades. Bem como pode experimentar o seu preparo, até então mais teórico do que prático, e demonstrá-lo efetivamente para depois buscar a ascensão na carreira polÃtica.
Quando eleitos, nossos representantes falam e agem em nome da sociedade. Assim, a ação do eleito deve refletir a vontade daqueles que o elegeram para o cargo. Eventualmente eleitos como deputados os atuais vereadores cumprirão somente a metade do mandato para o qual concorreram. E consequentemente, serão substituÃdos por suplentes, que podem ou não ter o mesmo preparo e qualificação do atual vereador, com uma possÃvel queda da qualificação da Câmara Municipal. Não é crÃvel que os nossos polÃticos sejam ambiciosos, interesseiros e descomprometidos com os interesses do povo que os escolheu para compor o Legislativo do MunicÃpio. Não que um polÃtico, ou alguém que almeje uma vida polÃtica, não possa pretender alçar vôos mais longos na esfera estadual ou federal. Ocorre que a vida polÃtica deve obedecer uma escalada gradativa de cargos, e cada um a seu tempo, ainda mais para quem não tem histórico polÃtico na própria vida ou da famÃlia.
O eleitor não deve ficar omisso nem apático! É ele que detém o poder do voto! O sensato é mobilizar apoios que aglutinem em torno de nomes possÃveis de encantar o eleitorado e garantir a importante vaga nas casas legislativas estaduais e federais. Quando a população restringe a opinião, inibe o surgimento de fracas representações polÃticas aptas a concorrer. A vontade popular pode determinar o fato de ter poucos candidatos em uma cidade.
CARREIRA
Eduardo Gil da Silva Carreira
Médico Veterinário e Advogado
   ***Texto publicado na seção Artigos do jornal Diário Popular em 6 de agosto de 2009
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