Eduardo Gil da Silva Carreira

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6/8/09

Pré-candidatos

Os políticos sabem quão efêmero é o tempo para quem manda e quão longo ele é para quem deseja mandar

Pe. César Moreira

 

Há cerca de quinze meses das eleições gerais de 2010, e menos de doze meses do início da campanha, somente na Câmara de Vereadores de Pelotas já existem pelo menos cinco supostos pré-candidatos/a à deputado/a, seja na esfera estadual ou na federal. Este número ainda pode aumentar, chegando até mais da metade dos eleitos pela sociedade em 2008.

A forte concorrência e o número exagerado de candidatos acabam prejudicando a representação política da cidade e região, ou mesmo a deixando sem representação. Essa grande quantidade de concorrentes poderá transformar a disputa em uma incógnita completa, por conta da pulverização dos votos. Apesar da contrariedade ao número exagerado de candidatos, a democracia permite, e deve ser praticado o multipartidarismo. No entanto, os próprios partidos é que tem a responsabilidade de apresentar candidatos com um maior grau de capacidade para representar seus ideais, valorizando a méritocracia, permitindo concorrer aos cargos políticos pessoas com adequada qualificação e preparo para tal.

A pulverização local dos votos concorre também com a presença de candidatos que politicamente não são da região, e que só aparecem no município em período eleitoral. É preciso uma mobilização suprapartidária para alcançar o consenso e eleger candidatos que representem a cidade e região, já que é necessário ter votos também fora do município para obter uma cadeira no parlamento estadual ou federal. O atual quadro político reflete o exposto; temos somente um deputado federal e um deputado estadual, mesmo sendo o terceiro maior colégio eleitoral do Estado com cerca de 243 mil eleitores aptos a votar, apenas atrás de Porto Alegre e Caxias do Sul. A dificuldade no encaminhamento de recursos e ações voltadas para melhores condições de vida, a carência de investimentos, o descaso e o abandono continuam a mercê de uma isolada atuação política.

Mas o problema não está somente no eleitor, mas sobretudo na nossa classe política. Deveriam os eleitos valorizar a sua eleição, que estão tão somente a oito meses no exercício do mandato e já vislumbram concorrer a um novo pleito. Tal pretensão pode ofuscar a melhor atuação do agente político, ou seja, não focar sua atenção para a obrigação do momento: a atuar como legislador e fiscal do executivo. Não devem só gozar da visibilidade para almejar novo cargo. Isto é, se eleitos vereadores, estes deveriam permanecer nesta função pública pelo total período do mandado, permitindo, apoiando e estimulando que novos agentes políticos venham a concorrer e fortalecer a representação política do município. Embora não devidamente valorizado, o exercício da vereança é que mais requer atenção, pois é quando o político tem um contato mais próximo com os eleitores, a cidade e seus problemas e necessidades. Bem como pode experimentar o seu preparo, até então mais teórico do que prático, e demonstrá-lo efetivamente para depois buscar a ascensão na carreira política.

Quando eleitos, nossos representantes falam e agem em nome da sociedade. Assim, a ação do eleito deve refletir a vontade daqueles que o elegeram para o cargo. Eventualmente eleitos como deputados os atuais vereadores cumprirão somente a metade do mandato para o qual concorreram. E consequentemente, serão substituídos por suplentes, que podem ou não ter o mesmo preparo e qualificação do atual vereador, com uma possível queda da qualificação da Câmara Municipal. Não é crível que os nossos políticos sejam ambiciosos, interesseiros e descomprometidos com os interesses do povo que os escolheu para compor o Legislativo do Município. Não que um político, ou alguém que almeje uma vida política, não possa pretender alçar vôos mais longos na esfera estadual ou federal. Ocorre que a vida política deve obedecer uma escalada gradativa de cargos, e cada um a seu tempo, ainda mais para quem não tem histórico político na própria vida ou da família.

O eleitor não deve ficar omisso nem apático! É ele que detém o poder do voto! O sensato é mobilizar apoios que aglutinem em torno de nomes possíveis de encantar o eleitorado e garantir a importante vaga nas casas legislativas estaduais e federais. Quando a população restringe a opinião, inibe o surgimento de fracas representações políticas aptas a concorrer. A vontade popular pode determinar o fato de ter poucos candidatos em uma cidade.


CARREIRA

Eduardo Gil da Silva Carreira

Médico Veterinário e Advogado

    ***Texto publicado na seção Artigos do jornal Diário Popular em 6 de agosto de 2009

criado por CARREIRA    10:41 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, , ,
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