13/3/09
PolÃtica e sociedade
É evidente a frustração de quem deseja a ética na polÃtica e acredita na restauração da dignidade dos homens públicos. Já não surpreendem as denúncias envolvendo polÃticos que usam seus para obter vantagens pessoais. Figuras execradas no passado estão de volta como protagonistas. Mas, apesar de tudo, a boa polÃtica ainda é um meio fascinante de promoção do bem público.
Vivemos um momento em que a polÃtica tem a credibilidade constantemente arranhada. A sociedade se questiona sobre a extensão do desprestÃgio e da desvalorização dos polÃticos. Mas alguém tem que se ocupar da tarefa de governar. Os raros homens públicos sérios estão fora de moda e a renovação é lenta. É preciso separar os aproveitadores das pessoas com qualidade, para que possamos vislumbrar caminhos melhores em substituição a este que corrói a polÃtica brasileira e afasta os bem intencionados. Pessoas qualificadas devem colaborar mais ativamente, pois se os melhores não cuidarem desta tarefa, a polÃtica fica na mão dos piores e medÃocres. Acima de pretensões de cargos públicos, a polÃtica é atividade cÃvica e participação nela deve ser estimulada. O que fazemos e deixamos de fazer pela polÃtica faz toda diferença. A polÃtica é importante. Afeta a vida e o futuro da sociedade diretamente; todo mundo sofre os efeitos da polÃtica, sejam estes bons ou maus.
O bom exercÃcio da polÃtica exige como pressuposto a inserção do indivÃduo num processo contÃnuo de aperfeiçoamento; esse processo não pode ser estático. Nesse sentido, conhecer e avaliar os candidatos e parlamentares deve ser ação contÃnua de parte do cidadão-eleitor. A omissão, em qualquer aspecto da nossa vida, significa deixar que os outros escolham por nós. Informação e atitude de cada cidadão podem transformar o cenário polÃtico, tornando-os menos complacentes e tolerantes com polÃticos acusados de envolvimento em práticas ilÃcitas. Existem várias formas de fazer isso: acompanhando as transmissões de rádio e TV; lendo os jornais e revistas; fazendo questão de ver como vota o seu representante; e manifestando-se contra ou a favor dele. Esta atividade requer persistência para exigir dos representantes e das instituições governamentais o atendimento dos interesses coletivos, exigindo transparência e integridade de quem nos representa. A crÃtica genérica, que nivela por baixo o comportamento dos parlamentares, torna-se inútil.
O agente polÃtico deve ter vocação pra servir o público, e ter como principal objetivo fazer alguma coisa capaz de melhorar a vida em sociedade. Também é essencial qu se tenha visão superior da atividade polÃtica, visão de futuro, coragem pra manter decisões, disponibilidade para ouvir, bem como capacidade de influenciar os outros nas negociações. A negociação polÃtica não é necessariamente obscura; é preciso flexibilidade sem perda de valores para costurar alianças, buscando o máximo de aproveitamento possÃvel, cedendo em alguns pontos pra preservar o essencial. O bom polÃtico sabe escolher o momento certo de agir, sem se aproveitar das ocasiões.
A polÃtica deve ser discutida de forma séria, como um instrumento eficaz de gestão polÃtica, econômica e social para chegarmos à s mudanças necessárias. O tempo não está para aventuras, pelo contrário, a demagogia, o populismo, a irresponsabilidade, o oportunismo polÃtico, só agravam os problemas. Atitudes e omissões fazem parte de nossa ação polÃtica diária. Somos responsáveis politicamente pela luta por justiça social e uma sociedade verdadeiramente democrática e para todos.
CARREIRA
Eduardo Gil da Silva Carreira
Médico Veterinário e Advogado
*** Texto publicado na seção Artigo do jornal Diário Popular de 13 de março de 2009.
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