Eduardo Gil da Silva Carreira

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30/1/08

Resposta das urnas

Um recente estudo publicado no centro do país comprova que políticos acusados de envolvimento em escândalos tiveram desempenho eleitoral e produtividade legislativa inferior à média dos demais pares.
A pesquisa aborda o comportamento dos políticos com atuação entre 2003 e 2007, e comprova estatisticamente que o eleitor não é bobo. Soube aplicar o pior castigo para o mau político: o ostracismo. Em Atenas, o ostracismo surgia como resultado do julgamento pelo povo, banindo por dez anos o cidadão cujo poder e ambição eram temidos, tornando-o estrangeiro. Atualmente, o cidadão brasileiro está excluindo do poder público os políticos inoperantes, os que estejam sob suspeita ou enfrentando algum processo judicial referente ao exercício da atividade política. Os políticos inoperantes são caracterizados como aqueles que mais faltaram, menos aprovaram projetos e se esquivaram da função de fiscalizar, utilizando a função pública somente para promoção pessoal.
Entre outros resultados a pesquisa demonstrou que o veredicto do eleitorado nas urnas foi bem menos condescendente que os julgamentos do Congresso Nacional. Dos 628 parlamentares (entre deputados e suplentes) com mandato na legislatura anterior, 112 foram acusados ou citados em escândalos de corrupção. Desses, apenas 33 foram julgados pelo Conselho de Ética da Câmara. Dezesseis correram o risco de perder o mandato; apenas oito foram cassados e outros oito renunciaram. Para muitos deputados, a impunidade teve fim nas eleições. Primeiro, porque os acusados de corrupção se candidataram em proporção bem menor (63%) que aqueles sem nenhuma ressalva durante o período (79%). Depois, porque os que tiveram coragem de pleitear a reeleição apresentaram êxito consideravelmente inferior em relação ao observado no grupo dos parlamentares ilesos. Dos 70 suspeitos candidatos à reeleição em 2006, um total de 28 conseguiu vitória, ou seja, um aproveitamento de 41%. No caso dos deputados com a ficha limpa, esse índice foi de 64%. Estatisticamente é uma diferença muito grande, sendo possível afirmar que o envolvimento em escândalo claramente influenciou as escolhas dos eleitores. Quando teve oportunidade, o eleitor puniu os parlamentares corruptos.
Os dados desmistificam a visão de apatia do brasileiro com relação ao processo democrático das eleições, e representa positivamente um ganho de memória e cultura política, ainda que modesto. Existe uma tradição no Brasil de que as pessoas nem sempre dão valor à idéia de que as urnas têm importância. Mas se pode notar que o brasileiro não desprestigiou o dever da escolha, confrontando as informações disponíveis sobre os escândalos e o exercício da ética, no momento de escolher seus representantes.
Na memória o cidadão deve preservar todos os fatos bons e ruins do âmbito político. Assim, um ato de corrupção deve ser repugnado por diversas gerações. Bem como personagens corruptos e os que utilizam a vida pública para atos circenses de repercussão nacional devem ser execrados do cenário político. O povo precisa se conscientizar que a memória política é o melhor juiz para um mau representante, e o ostracismo político é a sua pior condenação. É preciso exercitar nossa cidadania através da educação e participação, pois a política é um assunto eminentemente coletivo.
É essencial ter a consciência de que a hora do voto é o principal momento em que o cidadãos participam politicamente, transformando as urnas em tribunais das eleições, promulgando sentenças que afaste do poder os dilapidadores do bem público Mas o exercício da cidadania não se esgota com o voto, trata-se de uma atividade permanente e persistente, na qual devemos cobrar e exigir dos representantes e das instituições governamentais o fiel cumprimento dos interesses coletivos.

Eduardo Gil da Silva Carreira
Médico Veterinário e Advogado

*Texto publicado na coluna Artigo (pg.6) e também no website www.diariopopular.com.br do Diário Popular (Pelotas-RS) em fevereiro de 2008

*Texto publicado no blog da Juventude DEMOCRATAS-RS -  http://juventudedemocratars.blog.terra.com.br/

*Texto publicado na coluna Artigos do website www.portaldovereador.com.br  em 8 de fevereiro de 2008

criado por CARREIRA    17:06 — Arquivado em: Sem categoria
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