31/10/07
A participação feminina na polÃtica
A progressiva participação feminina no cenário político nos permite refletir sobre a possibilidade de dentro em breve ter uma mulher governando o país. É notório e salutar este incremento, embora modesto no cenário brasileiro, mas mundialmente mais avançado, onde já temos nomes solidificados como Michelle Bachelet no Chile, nos Estados Unidos Condoleezza Rice e Hillary Clinton, na França Christine Lagarde, na Argentina Cristina Kirchner recentemente assumiu o Bastão de Mando, e na Índia houve a eleição da primeira mulher presidente da história, Pratibha Patil, justamente no marco do 60º aniversário da independência. Esses exemplos são os traços mais vistosos do vasto painel que exibe a força crescente das mulheres.
O envolvimento feminino na vida política é resultado das mudanças sócio-culturais ocorridas na sociedade moderna. Durante séculos, as mulheres foram criadas para serem boas filhas, boas irmãs, boas esposas, boas mães, boas donas-de-casa. Mas sem abdicarem de atividades, funções e vantagens inerentes à condição feminina, deram a volta por cima. O surgimento de novos tipos de famílias, a ruptura dos padrões familiares patriarcais, as novas formas de produção no mundo do trabalho com impacto nas relações sociais, acabaram por abalar estruturas seculares sobre as quais se assentava a dominação masculina, em todas as esferas da vida pública e privada.
Entretanto, as especulações sobre o porquê de as mulheres brasileiras ainda não estarem muito entusiasmadas pelo ingresso na vida política são muitas. Algumas das possibilidades de evitar a política envolvem medo, falta de recursos financeiros próprios (independência financeira) e falta de interesse mesmo. O eventual despreparo sobre assuntos de ordem política, econômica e social do país, pode ser rapidamente ajustado, pois alguns partidos já oferecem cursos especializados para preparar os candidatas e candidatas.
A demonstração de disposição voluntária das mulheres brasileiras para assumir expressão dentro dos partidos e consequentemente no panorama político, ainda é acanhada. Tanto que foi necessário promulgar uma lei prevendo que 30% das vagas nas eleições, dentro dos partidos políticos, sejam reservadas para as candidatas mulheres. Essas vagas reservadas não alcançam o preenchimento total, pois não chega a 10% o interesse do público filiado feminino, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na Câmara dos Deputados são apenas 46 mulheres do total de 513 Deputados, e no Senado são somente 10 mulheres no total de 81 Senadores. A obrigatoriedade de quotas sem dúvida é um instrumento para incrementar a presença das mulheres na representação política.
Em uma época de “infidelidade partidária”, os partidos políticos perdendo a sua função tradicional, a política tornando-se cada vez mais desacreditada, a participação de mulheres na competição eleitoral tem sido usada como um recurso positivo nas estratégias eleitorais, pois elas atuam na política de modo diferenciado. Com as mulheres há introdução de elementos de mudança positiva no exercício da política, com uma postura mais humana no trato da coisa pública, fomentando as bases de uma sociedade mais justa e fraterna.
É necessário estimular, cada vez mais, a participação feminina ativa nas instâncias de base partidárias e nos processos eleitorais, pois os espaços na política não se ganham, se conquistam! A questão não é somente eleger mais mulheres, e sim eleger mulheres e cidadãos comprometidos com a sociedade, com determinação e competência. A democracia só assumirá significado verdadeiro e dinâmico quando as políticas e legislações em geral, forem decididas conjuntamente por homens e mulheres com eqüidade na defesa dos seus interesses.
Eduardo Gil da Silva Carreira
Médico Veterinário e Advogado
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