29/8/07
O resgate da boa polÃtica
A cena política brasileira começa a demonstrar sinais de mudança. Embora ainda tímido, pode-se notar um movimento nacional contra agentes políticos sem escrúpulos, sem comprometimento com a sociedade e alheios aos ideais partidários.
Os cidadãos estão fartos de serem espoliados por impostos que se multiplicam e não retornam em serviços públicos, discursos mentirosos e promessas que jamais se cumpriram, além da falta de punição para os maus administradores do patrimônio público. Em razão da ineficiência e da corrupção a política está desvalorizada. Desacreditada, a vida pública perdeu importância e a capacidade de mobilizar. De forma invertida, ser honesto, decente e ético se tornou motivo de homenagens, quando isto deveria ser indispensável para o exercício de qualquer atividade pública. As motivações dos que optam pela carreira política são quase sempre questionadas e vistas com desconfiança, até por que muitas pessoas dizem não gostar de política, mas na verdade a confundem com politicagem.
Bons representantes e a boa política precisam ser resgatados. É urgente a participação do cidadão na luta por uma sociedade mais justa, por menos desigualdade social e por um governo realmente político (voltado para uma administração que visa o benefício real da população que o elegeu) e não politiqueiro. O senso de participação cidadã é muito importante para o resgate da credibilidade política. A mudança de mentalidade demora, assim como o amadurecimento democrático, mas o eleitor deve ter ciência que delega através do exercício do voto o direito de administrar o patrimônio público ao representante que mais confia. Ações conscientes por parte dos cidadãos os tornam capaz de intervir ativamente na política, mas para isso devem ser exigentes com seus representantes, independente de favores e trocas no ato de votar. Na busca da renovação também é imperativo combater o voto em branco ou nulo. Por tal ato o eleitor se abstém e deixa seu espaço para outros, não agindo como sujeito político ativo, submetendo-se aos ideais daqueles que participam, todavia nem sempre o façam de forma adequada.
A evidente insatisfação com o cenário político atual pode e deve refletir mudanças em um futuro próximo. Na boa e ideal política deve haver plena confiança nas instituições democráticas, constituídas de políticos preparados para ingressar no serviço público, e que exerçam a função para qual foram eleitos com atitude objetivando o bem comum, e não como forma de dominação, nem de busca do proveito pessoal. O maior rigor na escolha dos membros dos partidos e a ampliação da participação de pessoas qualificadas e comprometidas é uma das alternativas viáveis para enfrentarmos a rejeição e o desencanto do momento. Alguns partidos já estão promovendo cursos preparatórios para a formação de candidatos, que consistem em aulas de noções de política, cidadania, segurança pública, bem comum e história partidária. A mudança gradual e constante promoverá a formação de uma nova consciência política, com critérios na escolha dos candidatos, e com a idéia de que o exercício do voto tem conseqüências, e não preço.
Ao selecionar a melhor opção dentre os candidatos, é imprescindível que o eleitor realize uma reflexão quanto a vida privada ou pública do político envolvido no processo eleitoral. Conhecer os princípios, analisar a coerência dos atos e a perseverança em buscar fins válidos através de meios honestos, permitem uma melhor avaliação do candidato. O bom político obtém votos por aquilo que ele é, por aquilo que ele faz, e evita angariar votos inconseqüentes que se baseiam na lógica persuasiva politiqueira e no oportunismo da propaganda. Também merecem ser consideradas a capacidade e competência administrativa, pois os eleitos passarão a gerir o bem público.
A atividade política pressupõe assumir responsabilidades só compatíveis com grandes qualidades morais e de competência, pois as ações do político devem ser dirigidas para o bem comum, e influenciarão sobre a vida das pessoas de forma maior do que a de qualquer outra profissão.
Eduardo Gil da Silva Carreira
Médico Veterinário e Advogado
*Texto publicado na coluna Artigo (pg.6) e também na website www.diariopopular.com.br do Diário Popular (Pelotas-RS) em 3 de setembro de 2007
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